Artigo da Revista  | ago 23, 2016 | educação executiva

 Ideias equivocadas sobre o cérebro permeiam programas de treinamento corporativo e podem sabotar sua eficáciaimg_treinamento
Muitos programas de treinamento empresariais estão impregnados de erros sobre o funcionamento cerebral em relação ao aprendizado. Váriosdeles foram desenvolvidos com base na interpretação incorreta de pesquisas neurocientíficas.

As empresas não podem se dar ao luxo de investir em programas com base em premissas imprecisas. Se pensarmos só nas empresas dos Estados Unidos, isso significa o potencial desperdício de mais de US$ 164 bilhões por ano em investimento em treinamento, de acordo com a Association for Talent Development (e esse valor só faz aumentar).

Com o avanço das técnicas de obtenção de imagens do cérebro, como a ressonância magnética funcional, podemos indicar os neuromitos mais comuns e evitá-los. São três:

Mito 1
Aprendemos mesmo na infância
Muitos de nós já ouvimos falar em fases críticas do aprendizado. A maior parte do desenvolvimento cerebral aconteceria nos primeiros anos de vida e, após esse período, a trajetória do desenvolvimento humano seria mais ou menos limitada.

Pesquisas neurocientíficas recentes indicam que a experiência pode mudar tanto a estrutura física do cérebro como sua organização funcional. A esse fenômeno se dá o nome de “neuroplasticidade”.

Pesquisadores que estudam a plasticidade do cérebro creem no método do mindfulness, ou consciência plena, pode facilitar o aprendizado sempre. Por exemplo, praticar uma meditação simples, concentrando-se na respiração, ajuda a
construir massa cinzenta em partes do cérebro associadas ao aprendizado e à memória, ao controle das emoções e à compaixão.

Há comprovações. Um grupo de cientistas de várias instituições dos Estados Unidos mostrou que apenas oito semanas de prática do mindfulness podem produzir mudanças estruturais no cérebro. Estas são capturadas pela ressonância
magnética funcional, segundo relatam Omar Singleton e colegas em artigo publicado pela revista Frontiers in Human Neuroscience.

Empresas como a General Mills, do setor de alimentos, o Facebook e o Google, do mundo digital, cada vez mais oferecem aos funcionários oportunidades de se beneficiarem da prática do mindfulness. A maioria dos programas obtém apoio entusiasmado das pessoas, que costumam relatar melhora em estados emocionais e no desempenho.

Por exemplo, colaboradores da seguradora Aetna que participam de aulas gratuitas de ioga e meditação relatam, em média, 28% de redução no nível de estresse e 62 minutos de aumento da produtividade por semana – um valor agregado de cerca de US$ 3 mil por funcionário ao ano.

O CEO Mark Bertolini, que iniciou o programa poucos anos atrás, ficou impressionado com o grau de interesse despertado por toda a companhia. Hoje, mais de um quarto dos 50 mil colaboradores da Aetna fez ao menos uma aula, conforme matéria publicada pelo New York Times.

Mito 2
Uma parte de nosso cérebro fica ociosa
Você acredita nisso? Cerca de 50% dos professores entrevistados no Reino Unido e na Holanda acham que a ociosidade já está provada, como mostra Paul A. Howard-Jones em artigo publicado pela Nature Reviews Neuroscience.

Não está. Exames de imagens indicam que, não importa o que a pessoa esteja fazendo, todo o seu cérebro está ativo – embora algumas áreas mais do que outras, dependendo da tarefa.

As pessoas sempre podem aprender novas ideias e habilidades, mas isso acontece não porque passam a empregar alguma parte não usada do cérebro, e sim porque formam conexões novas ou mais fortes entre as células nervosas.

Esse conhecimento da capacidade do cérebro torna- -se especialmente relevante para o ambiente e contexto em que o aprendizado dos negócios em geral ocorre.

Todo mundo conhece muito bem o hábito de checar e-mails rapidamente ou planejar a próxima reunião no meio de uma sessão de treinamento, certo? O problema é que ser multitarefa exige grandes partes da memória operacional do cérebro.

Sem essa memória, não se consegue apreender novas informações com sucesso. Em outras palavras, atuar em múltiplas tarefas e aprender não podem acontecer ao mesmo tempo efetivamente.

Reconhecendo esse problema, algumas empresas já trabalham para construir ambientes de aprendizado de imersão, nos quais as distrações são eliminadas.

Na McKinsey, por exemplo, criamos uma fábrica simulada para treinamento de operações e, no início, pedimos aos treinandos que guardem seus smartphones em um armário. Queremos garantir que todos se concentrem totalmente
no aprendizado.

Em muitas empresas, remover a tentação de usar aparelhos móveis durante sessões de treinamento vem se tornando algo comum.

Mito 3
Aprendemos melhor quando levamos em conta nosso hemisfério cerebral dominante
Quase todo mundo já deparou com a teoria de que as pessoas ou são predominantemente analíticas (guiadas mais pelo hemisfério esquerdo do cérebro) ou mais criativas (guiadas pelo lado direito).A novidade é que essa dicotomia
não procede.

Ambos os hemisférios do cérebro são conectados e se comunicam intensamente; eles não trabalham de maneira isolada. A noção simplista de um falso binário levou, em muitas organizações, à falácia de que cada um de nós tem um estilo e um canal de aprendizado preferido.

Estudos recentes refutam essa ideia, sugerindo, em vez disso, que apelar para todos os sentidos de modos variados (por exemplo, audiovisual e tátil) pode ajudar as pessoas a reter novo conteúdo. A KFC é uma empresa que coloca
essa ideia em prática, aplicando formas variadas de aprendizado em treinamentos de atendimento ao cliente.

As sessões começam com um jogo, após o trabalho, no qual toda a equipe de uma loja assume o papel do cliente. A isso se seguem ensinamentos ao estilo de jogos online que se encaixam em janelas de 15 minutos durante os turnos.

Nesses módulos, os colaboradores ficam atrás da caixa registradora para lidar com uma série de experiências típicas do cliente, entre elas responder a pesquisas de satisfação sonoras e visuais. Ao final, as pessoas se reúnem na frente
da loja para receber feedback, falar sobre o que aprenderam e obter orientação como reforço.

Apesar do progresso significativo, muito há por fazer para erradicar os neuromitos da filosofia dos programas de treinamento corporativos. Pesquisas neurocientíficas têm confirmado algumas abordagens que os profissionais já adotam, como o reforço ao colaborador enquanto ele executa suas funções e o engajamento sem distrações. No
entanto, essas pesquisas também contradizem outras abordagens.

As empresas devem basear-se em conhecimento novo e talvez repensar seus programas de treinamento em conformidade com ele. Precisam, ao menos, aperfeiçoar seu diálogo com a comunidade científica e sua compreensão a
respeito do que ela traz.

© McKinsey Quarterly
Editado com autorização.
Todos os direitos reservados
(www.mackinsey.com).

Artin Atabaki é consultor do escritório da McKinsey em Stuttgart, Alemanha; Stacey Dietsch é diretora associada do escritório de Washington, DC, Estados Unidos; e Julia Sperling é diretora do escritório de Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Share →
© Mind On - Consultoria RH, Treinamento Empresarial, Cursos Liderança | Porto Alegre | Curitiba

Sobre a Mind On

A Mind On é uma consultoria em Recursos Humanos especializada em Educação Corporativa, Gestão por Competências, Avaliação de Desempenho e Cursos Abertos em Porto Alegre e Curitiba.

A Mind On é reconhecida no mercado pelos programas inovadores de treinamento e desenvolvimento de líderes, talentos e equipes, através de workshop e coaching.

Saiba mais

News

No thumbnail available

Como lidar com Clientes Difíceis

No atendimento ao cliente, muitas vezes lidamos com situações bastante delicadas. Entenda um pouco[...]

No thumbnail available

Conheça como lidar com alguns tipos de clientes

Quem trabalha com atendimento já sabe que o dia a dia com os clientes é dinâmico e bem variado! A[...]